Diante de Bolsonaro, arcebispo suaviza fala sobre direita em Aparecida (SP)


Diante do presidente Jair Bolsonaro (PSL) no Santuário de Nossa Senhora de Aparecida (SP), o arcebispo Orlando Brandes suavizou na tarde de hoje sua crítica feita durante a missa matutina, quando falou em "dragão do tradicionalismo" e disse que a direita é "violenta" e "injusta". 

Segundo o arcebispo, os "dragões" são as ideologias, que representariam interesses pessoais tanto na direita, quanto na esquerda.

Isso não faz bem. O que faz bem é procurar a verdade. A verdade é que liberta, a verdade é que nos dá paz", disse. "A verdade de Jesus Cristo." O presidente aplaudiu a fala do sacerdote. 

Brandes também comentou o trecho do livro de Ester lido por Bolsonaro, em que ela pede ao rei Assuero por sua vida e a de seu povo. 

"Queremos pedir a vida do nosso povo. Que não falte emprego, não falte pão, não falte dignidade, não falte paz", disse o arcebispo. 

Brandes também fez um apelo ao fim do racismo ao lembrar que a imagem de Nossa Senhora Aparecida é de uma santa negra. 

O arcebispo terminou seu sermão em tom contemporizador com Bolsonaro, citando novamente a presença do presidente.
Senhor presidente, sinta-se abraçado pela santa querida", disse. "Somos todos irmãos." 

Bolsonaro foi vaiado e aplaudido O presidente foi vaiado e aplaudido por três vezes durante as celebrações pelo dia de Nossa Senhora Aparecida, hoje, no Santuário Nacional dedicado à santa, na cidade paulista de Aparecida. 

As vaias e aplausos ocorreram simultaneamente em dois momentos: quando Bolsonaro entrou na basílica e quando seu nome foi anunciado pelo irmão Carlos Cunha, que conduzia a missa. 

Bolsonaro foi aplaudido novamente quando participou diretamente da missa, lendo um trecho do livro bíblico de Ester. Foi vaiado e aplaudido uma terceira vez quando foi anunciado pelo Arcebispo de Aparecida, dom Orlando Brandes

Esta é a primeira visita de um presidente ao santuário no dia 12 de outubro, e a segunda de um mandatário no cargo. A outra foi de Fernando Henrique Cardoso, em maio de 1998, na inauguração do Centro de Apoio ao Romeiro. A basílica passou a receber atividades religiosas em definitivo em 1982. 

Bolsonaro já havia visitado a basílica em novembro do ano passado, como presidente eleito. O Santuário Nacional de Aparecida espera a visita de 171 mil pessoas ao longo do sábado.

O presidente compareceu ao santuário com o ministro da Secretaria-Geral da Presidência, Jorge Oliveira; o deputado federal Hélio Bolsonaro (PSL-RJ); e o deputado estadual paulista Gil Diniz (PSL)

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